Festa para celebrar Carlos Fernando

 

Galo da Madrugada - Recife, PE

 

26 de setembro de 2014

Festa para celebrar Carlos Fernando

Abertura da sexta temporada da Quinta no Galo reuniu time de artistas e clássicos do saudoso compositor, homenageado do Galo em seu desfile de 2015.

Por Anderson Maia

“Felizes somos nós, povo pernambucano, por termos uma riqueza cultura para escolher, num ano, Ariano Suassuna, e, no outro, Carlos Fernando”. As palavras do anfitrião Rômulo Meneses, presidente do Galo da Madrugada – ao fazer menção aos homenageados dos carnavais de 2014 e de 2015 do maior bloco do mundo – expressou bem, na noite de abertura da sexta temporada da Quinta no Galo, ontem (25), o sentimento de orgulho e alegria do Galo ao iniciar um novo ciclo de festas que promete, até fevereiro de 2015, muita alegria, colorido e homenagens a mais um grande ícone da cultura pernambucana. Reunidos no Palácio Enéas Freire, sede do Clube, foliões e artistas deram o pontapé inicial, ao som de grandes clássicos da vasta obra do compositor, às prévias para o 38º desfile da agremiação, que vem com o tema “Asas da América – Asas para o Frevo”.

Travassos recebeu convidados para noite de homenagem a Carlos Fernando. Fotos: Anderson Maia

A festa teve início com apresentações de maracatus, caboclinhos, bloco lírico e grupos de passistas, entre estes o Saltos Cia de Dança, que apresentou seu tradicional espetáculo que mistura teatro e dança para contar a história do frevo. O grupo de palhaços do Galo da Madrugada, outra atração da prévia, está entre as novidades da nova temporada da Quinta. “Procuramos mostrar, de uma maneira sintética, todo o conteúdo dessa riqueza cultural de Pernambuco e também reproduzir o nosso autêntico carnaval de rua. Agora, até meados de fevereiro, é frevo do começo ao fim, quem quiser que agüente”, brincou o presidente.

O colorido e a pluralidade das manifestações locais, mais uma vez, fizeram a alegria na prévia.

A fatia musical da noite de abertura ficou por conta do cantor oficial do bloco, Gustavo Travassos, que trouxe para o início das homenagens a Carlos Fernando colegas como Spok, Almir Rouche, André Rio, Gerlane Lops, Edilza, Jades Sales e o Coral Edgard Moraes. “Foi mágico, glamoroso, deslumbrante e futurista. Carlos Fernando é tudo isso, ele fez Pernambuco falar para o mundo sem medo de ser feliz e colocou o Brasil inteiro para cantar o nosso frevo. Foi uma noite fantástica, abrimos com chave de ouro, começou o carnaval”, comemorou, Gustavo, ao término do show.

Companheiro musical de Carlos Fernando, com quem trabalhou em alguns projetos, o maestro Spok não mediu esforços nem gogó durante a noite, ao assumir a batuta com o seu inseparável sax e colocar artistas e foliões para frevar nas Asas da América. “Eu posso dizer que tive muita sorte por ter sido amigo dele e ter trabalhado com ele em vários momentos. Conheço Carlos Fernando desde garoto, quando entrei na banda de pau e corda e comecei a conhecer a sua obra. Qualquer nota dada, nesta noite, será para ele, que eu sei que onde estiver estará muito feliz e na torcida por todos nós”, afirmou o músico. “Banho de Cheiro”, “Anjo Avesso”, “Pátria Amada”, “Pitomba Pitombeira” e “Tempo Folião”, foram algumas das obras do frevo moderno de Carlos Fernando relembradas pelos pernambucanos na noite que abriu as homenagens. “Sua obra é perpétua e é dever do nosso povo lembrá-la e exaltá-la. Para o desfile do Galo do ano que vem, iremos incluir em nosso repertório uma música inédita do Jota Michiles, que ele está preparando para homenagear Carlos Fernando”, adianta Almir Rouche, que subiu ao palco com a antológica “Lenha no Fogo”, canção que compõe o primeiro volume do projeto Asas da América, lançado em 1979.

A emoção não foi menor para o público, que aguardava ansiosamente para o retorno da prévia. Mais ainda para quem veio de fora e pôde sentir, pela primeira vez, a energia do carnaval pernambucano. “Melhor, impossível. É um povo que tem alegria nos pés. A cultura pernambucana é farta, não é como no resto do Brasil, onde há uma manifestação única. Aqui, são várias culturas unidas num só carnaval. Em fevereiro, estarei de volta, com certeza”, garantiu o engenheiro de produção Hélio Silva, 33 anos, que reside no Maranhão. Quem veio de outras partes do mundo também se encantou com a euforia dos foliões no salão do Palácio Enéas Freire: “No início, todos estavam mais contidos, mas, agora, já percebo que eles deixaram o que estavam fazendo e se contagiaram com os ritmos, entregando-se de coração e interagindo com os artistas. Senti vida e felicidade das pessoas em estarem vivendo esse momento”, observou o suíço Felix Hug, 51, que também não resistiu ao passo do frevo e caiu na folia. A Quinta no Galo acontece todas as quintas-feiras, até a semana pré-carnavalesca.

O europeu Hug (centro) também foi contagiado pelos ritmos pernambucanos

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